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Um Arquivo Quatro Casas Uma Memória

Ao longo dos 90 anos da sua história, o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta foi saltando de casa em casa até se fixar, definitivamente em 2003, na Casa Navarros de Andrade.

Foram quatro os edifícios que albergaram este Arquivo:

CASA DE MARTINS SARMENTO

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A Casa de Martins Sarmento, como o nome deixa adivinhar, foi mandada construir pelo arqueólogo e etnólogo Martins Sarmento que aí viveu até falecer no ano de 1899. No seu testamento deixou esta casa de habitação à Sociedade Martins Sarmento, uma associação de carácter cultural, fundada em 1882, com a condição de apenas tomar posse após o falecimento de sua esposa, facto que ocorreu em 1929.

Em junho de 1931 é criado por decreto o Arquivo Municipal de Guimarães, segundo este diploma o Arquivo ficaria instalado nas dependências da Sociedade Martins Sarmento, confinado à sua guarda e direcção. Entre 1931 e 1934, o Arquivo Municipal ocupou o segundo andar deste edifício, onde laboriosamente trabalhou Rodrigo Pimenta na catalogação e inventariação de centenas de documentos.

Em 1934, o edifício foi ocupado por empréstimo e a título provisório pela Câmara Municipal e pelos Serviços de Repartição e Finanças de Guimarães, o que obrigou o Arquivo a mudar-se para os Antigos Paços do Concelho, sito no Largo da Oliveira.

Mais tarde, em 1968, os Paços do Concelho foram transferidos para o Convento de Santa Clara, mas no edifício continuaram a funcionar os Serviços das Finanças. Na madrugada de 1975, um violento incêndio quase destruiu todo o edifício, deixando profundas marcas que ainda hoje são visíveis.

Posteriormente, a casa foi ocupada por várias associações culturais, beneméritas ou profissionais, que aí instalaram de um modo precário, as suas sedes, como foi o caso da Unidade Vimaranense, a Associação dos Combatentes da Grande Guerra e Universidade do Autodidata da 3ª Idade de Guimarães (UNAGUI). Actualmente alberga a Casa Sarmento, unidade indiferenciada da Universidade do Minho, fundada em 2017, suportada num protocolo que a Universidade celebrou com o Município de Guimarães e a Sociedade Martins Sarmento.

ANTIGOS PAÇOS DO CONCELHO

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Terá sido no reinado de D. Manuel I, nos inícios do séc. XVI, que começou a construção da Casa da Câmara. Ao longo dos anos foi sofrendo sucessivas intervenções que lhe foram moldando a feição primitiva. Durante o séc. XIX “fizeram-lhe as janelas segundo o gosto moderno e coroaram-se com os escudos e com as esferas que até então se achavam cravadas no liso da parede, por baixo das ameias”.

No topo do edifício existiu um relógio de sol e o sino de correr da Vila, trazido do Castelo, que servia para chamar para vereações e audiências, até 1877, altura em que foram apeados e colocou-se a estátua do Guimarães, proveniente da antiga alfândega do Porto, que se tornou símbolo epónimo da cidade. Também o “lugar das esferas e dos brasões foram mudados, ficando dois destes sobre as duas janelas do centro e as esferas sobre as janelas laterais”.

O edifício dos Antigos Paços do Concelho foi declarado monumento nacional em 1910. Neste espaço, a 14 de Outubro de 1934 assistiu-se a abertura solene do Arquivo Municipal, valência que ai permaneceu até 1963, altura em se mudou para algumas dependências do Convento de Santa Clara, por razões de segurança, já que o edifício se encontrava em perigo de ruína.

Entre 1966 e 1992, esteve instalada a biblioteca Calouste de Gulbenkian. Posteriormente, este centenário edifício, foi ocupado pelo Museu de Arte Primitiva, por uma dependência do Turismo do Porto e Norte de Portugal e até muito recentemente alojou serviços da Câmara Municipal. Hoje alberga o Espaço de Diplomacia Económica, o Consulado do Cazaquistão e a Associação de Jovens Empresários de Guimarães (AEJG).

CALDAS, António José Ferreira – Guimarães: apontamentos para a sua história. Guimarães: Câmara Municipal: Sociedade Martins, 1996.432 p.

CONVENTO SANTA CLARA

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O convento de Santa Clara foi fundado por Baltazar de Andrade, mestre-escola da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, que em meados do séc. XVI, deu início à sua obra, começando por tomar posse de umas casas e quintais no local onde iria, mais tarde, edificar a instituição religiosa em honra da Virgem Santa Clara. A primeira pedra foi lançada, com notável solenidade, alguns anos depois, segundo uns autores a 8 Maio de 1549, de acordo com outros, a 29 de Setembro de 1559.

A sua comunidade era bastante pequena mas, apesar do crescimento ter sido moroso, chegou a albergar mais de 60 religiosas. Nos primórdios viverem com grandes dificuldades económicas, contudo conseguiu ser o convento mais rico de Guimarães. Nas décadas de 30 a 40 do século XVII teve importantes obras de beneficiação e ampliação.

Em 1891, aquando da morte da última religiosa e superiora, Antónia Amália Ascensão, o convento fecha as suas portas. O edifício é cedido, por decreto de 19 de Agosto de 1893, à Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira que aí instala o Seminário de Nossa Senhora da Oliveira. Três anos depois, um novo decreto transforma o seminário em Liceu Nacional, mudando de estabelecimento na década de 50.

A partir de 1963, o Convento passou a albergar o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, que havia sido transferido, de uma forma provisória, para algumas das suas dependências. Em 1968, após obras de adaptação e restauro do Convento para Paços do Concelho, o Arquivo passou a funcionar na antiga capela do Convento, até Junho de 2003.

Actualmente alberga a Câmara Municipal de Guimarães.

CALDAS, António José Ferreira – Guimarães: apontamentos para a sua história. Guimarães, [Ed. de autor], 1881.
FERNANDES, Isabel Maria; OLIVEIRA, António José – Convento de Santa Clara. Boletim de Trabalhos Históricos. Guimarães: AMAP. Vol. V ( 2004).

CASA NAVARROS DE ANDRADE

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É um palacete do séc. XVII, situado na antiga Rua dos Fornos (Lamelas), actual João Lopes Faria, onde viveu o Cónego Mestre-Escola, Rui Gomes Golias cuja casa havia herdado de seus pais. Anexa à casa existia a capela do Senhor Jesus. Aquando da sua morte, herdaram a casa as suas sobrinhas, Inês de Guimarães, Catarina Golias e Luiza Guimarães.

Esta casa manteve-se na família Peixoto Golias até D. Ana Margarida dos Guimarães Golias, que tendo morrido em 1820, deixa como seu herdeiro o Cónego Jacinto Navarro de Andrade, com que não tinha parentesco. Após a morte deste, em 1833, os seus herdeiros tomaram posse da casa e dão-lhe o seu nome, passando então a casa a ser conhecida por Navarros de Andrade e a sua capela por Capela de S. Jorge.

O recheio decorativo, nomeadamente o retábulo da Capela, encontram-se expostos no Museu Alberto Sampaio para onde passaram em 1940, quando esta casa já saída da família Navarros, acolheu o Tribunal do Trabalho e a Polícia de Segurança Pública.

No âmbito do Programa de Apoio à Rede Nacional de Arquivos Municipais (PARAM), do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, encetou-se a recuperação e a adaptação deste imóvel a arquivo, tendo sido inaugurado no dia 24 de Junho de 2003, Dia um de Portugal.

Este novo espaço está de acordo com a magnificência do espólio que o Arquivo incorpora, pois reúne as condições adequadas para o trabalho e conservação documental, bem como para a delicada e minuciosa tarefa de investigadores e historiadores, ao mesmo tempo que facilita o conhecimento e divulgação da nossa história a todos os cidadãos.

MORAES, Maria Adelaide Pereira de, Velhas Casas - vol. I, Porto, 2001. AZEVEDO, Torcato Peixoto de - Memórias ressuscitadas da Antiga Guimarães, 2000.